O molho de chaves tilinta em meu bolso, quando o retiro e manipulo pensativo. Como sempre, meu olhar é atraído pelo disco de couro, endurecido pelo tempo, que teimo em utilizar como chaveiro. Tornou-se um ritual. Digamos...um rito de passagem. Assim é, por existirem muitas chaves juntas: pequenas, médias, prateadas, apenas uma dourada. E é esta a que me interessa. A pequena chave sempre se destaca das outras, orgulhosa de sua função. Pode uma chave sentir-se superior? Ah!, esta parece ser capaz disso! Paro e olho para a porta. Os veios da madeira destacam-se sob a camada de cera. Mesmo envelhecida continua sendo uma bela porta, com seu tom avermelhado lembrando o mogno. Só, no corredor, seguro a maçaneta dourada e introduzindo a chave na fechadura, giro uma...duas vezes. Ouço!... O silêncio do ambiente é quebrado apenas pelos clique-cliques do mecanismo interno que movimenta o trinco. Então, liberta do batente, a porta gira deixando a débil luz do hall adentrar a sala escura.
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