Na Boca da Caverna - UOL Blog
Quem sou eu?

 

Quem sou? Não sei, não!

 

Cabeça nas nuvens

Pés no chão.

Olhos nas estrelas.

Cego o coração.

 

Quem sou? Não sei, não!

 

Neve nos cabelos.

Fogo na alma

Vontade de pedra,

mas pedra emplumada.

 

Quem sou? Não sei, não!

 

Água nos olhos.

Voz de trovão.

Alma de criança,

Memória de ancião

 

Quem sou? Não sou, não!

 

Estou sendo,

vivendo com paixão.

Zé Mané

 

Cabeça vazia.

Pé de valsa cabeçudo,

cabecinha, Zé Mané.

 

Seu papo cabeça?

Caspa, piolho, cerveja

futebol, jogo e muié.

Sem pé nem cabeça,

calo, frieira e chulé.

 

Sujeito sem jeito

só corpo, sem alma

bate no peito

empina o nariz

se a coisa aperta

com o rabo entre as pernas

se encolhe e se acalma:

- Que foi que eu fiz?

Natureza Distante

 

Nuvens...

...flocos de esperança da caatinga ardente.

 

Nuvens...

...água-viva, nutriente, da floresta verde.

 

Nuvens...

...avalanche displicente no abismo oceânico.

 

Nuvens...

...vitórias-régias celestes de sombras fartas.

 

Nuvens...

...sopro de sonhos que a brisa mata.

 

Nuvens...

...brancas, negras, douradas...

 

Dádiva alada

 

Ah! Amar,

fábula de mágica alma,

cálidos lábios e alvo abraço.

 

Ah! Amar,

dádiva alada

a bailar em vasto espaço.

 

Ah! Amar,

musical fada

que em pauta de prata me faz valsar.

 

Ah! Amar,

vendaval que a carne abrasa,

e em calma paz me faz sonhar.

Ode ao meu velho

 

Tempo, sem teu segredo

perco o que penso ter

e vejo em teu pêndulo lento

meu tormento, meu sofrer.

 

Tempo, sem teu segredo

anseio pelo que lembro

e revejo morrer, sofrendo,

aquele a quem beijei.

 

Tempo, sem teu segredo

tenho de meu o lamento.

e dos momentos de folguedo

o sentimento de quem amei.

 

Tempo, com teu segredo

sem o tropeço, o peso do medo

mantenho o anseio e o apelo

de meu relojoeiro vivendo rever.

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