Quem sou? Não sei, não!
Cabeça nas nuvens
Pés no chão.
Olhos nas estrelas.
Cego o coração.
Quem sou? Não sei, não!
Neve nos cabelos.
Fogo na alma
Vontade de pedra,
mas pedra emplumada.
Quem sou? Não sei, não!
Água nos olhos.
Voz de trovão.
Alma de criança,
Memória de ancião
Quem sou? Não sou, não!
Estou sendo,
vivendo com paixão.
Cabeça vazia.
Pé de valsa cabeçudo,
cabecinha, Zé Mané.
Seu papo cabeça?
Caspa, piolho, cerveja
futebol, jogo e muié.
Sem pé nem cabeça,
calo, frieira e chulé.
Sujeito sem jeito
só corpo, sem alma
bate no peito
empina o nariz
se a coisa aperta
com o rabo entre as pernas
se encolhe e se acalma:
- Que foi que eu fiz?
Nuvens...
...flocos de esperança da caatinga ardente.
Nuvens...
...água-viva, nutriente, da floresta verde.
Nuvens...
...avalanche displicente no abismo oceânico.
Nuvens...
...vitórias-régias celestes de sombras fartas.
Nuvens...
...sopro de sonhos que a brisa mata.
Nuvens...
...brancas, negras, douradas...
Ah! Amar,
fábula de mágica alma,
cálidos lábios e alvo abraço.
Ah! Amar,
dádiva alada
a bailar em vasto espaço.
Ah! Amar,
musical fada
que em pauta de prata me faz valsar.
Ah! Amar,
vendaval que a carne abrasa,
e em calma paz me faz sonhar.
Tempo, sem teu segredo
perco o que penso ter
e vejo em teu pêndulo lento
meu tormento, meu sofrer.
Tempo, sem teu segredo
anseio pelo que lembro
e revejo morrer, sofrendo,
aquele a quem beijei.
Tempo, sem teu segredo
tenho de meu o lamento.
e dos momentos de folguedo
o sentimento de quem amei.
Tempo, com teu segredo
sem o tropeço, o peso do medo
mantenho o anseio e o apelo
de meu relojoeiro vivendo rever.
|
||||