Na Boca da Caverna - UOL Blog
Inominado

 

Tarde de Outono,

morto o riso, chora o palhaço.

Cai a noite cravando na carne os olhos irados.

A cama vazia conserva nos braços um perfume:

o rubro cheiro, gemido, dos corpos suados.

 

No útero-cama se encolhe,

feto-criança sofrendo em doce ilusão:

voltar no tempo,

doces, passarinhos, uvas

um colo com aroma de bolinhos de chuva,

a dor que se foi num lamento,

um afago, uma canção.

 

Os olhos fecha,

pesados do orvalho

que a mente abrasada não ousa secar.

A alma se evola

levada nas garras

da águia dos sonhos...

...a voar.

 

Sinos repicando ao longe,

a suave ilusão é completa,

luz do sol,

noiva no altar.

Festa, vinho, corpos unidos,

sonhos, ainda, por sonhar.

 

Mas o ciúme, esse falso amigo

dá-lhe um passado,

tirando o futuro,

A amada exangue,

uma arma, um estampido.

Branca e bela numa poça de sangue,

ao som de ossos

se esfregando no escuro.

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