Tarde de Outono,
morto o riso, chora o palhaço.
Cai a noite cravando na carne os olhos irados.
A cama vazia conserva nos braços um perfume:o rubro cheiro, gemido, dos corpos suados.
No útero-cama se encolhe,
feto-criança sofrendo em doce ilusão:
voltar no tempo,
doces, passarinhos, uvas
um colo com aroma de bolinhos de chuva,
a dor que se foi num lamento,
um afago, uma canção.
Os olhos fecha,
pesados do orvalho
que a mente abrasada não ousa secar.
A alma se evola
levada nas garras
da águia dos sonhos...
...a voar.
Sinos repicando ao longe,
a suave ilusão é completa,
luz do sol,
noiva no altar.
Festa, vinho, corpos unidos,
sonhos, ainda, por sonhar.
Mas o ciúme, esse falso amigo
dá-lhe um passado,
tirando o futuro,
A amada exangue,
uma arma, um estampido.
Branca e bela numa poça de sangue,
ao som de ossos
se esfregando no escuro.
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